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Reforma 1517
Reforma 1517

Uma herança plural, ainda em debate

Cinco séculos depois, centenas de milhões de cristãos se reconhecem herdeiros da Reforma — em igrejas muito diferentes entre si e em diálogo com aqueles de quem se separaram.

Tradições

Muitas igrejas, muitas origens

Nem toda igreja protestante descende diretamente de um reformador do século XVI. Algumas surgiram de movimentos posteriores, com histórias próprias.
  1. Século XVI

    Luteranos

    Igrejas nascidas da Reforma de Wittenberg, majoritárias no norte da Alemanha e na Escandinávia. Hoje reunidas em boa parte na Federação Luterana Mundial.

    Grau de evidência: Documentado
  2. Século XVI

    Reformados e presbiterianos

    Herdeiros de Zurique e Genebra, presentes na Suíça, Países Baixos, Escócia, Hungria e, depois, em muitas partes do mundo.

    Grau de evidência: Documentado
  3. Século XVI

    Anglicanos

    A Igreja da Inglaterra e as igrejas da Comunhão Anglicana, que combinam herança católica e reformada.

    Grau de evidência: Documentado
  4. Século XVI

    Anabatistas e menonitas

    Comunidades que defendem o batismo de crentes e, em geral, a não violência. Os menonitas levam o nome de Menno Simons.

    Grau de evidência: Documentado
  5. Século XVII

    Batistas

    Surgem entre separatistas ingleses, com uma primeira congregação em Amsterdã em 1609. A influência anabatista sobre eles é debatida pelos historiadores.

    Grau de evidência: Debatido
  6. Século XVIII

    Metodistas

    Movimento de renovação iniciado por John Wesley dentro da Igreja da Inglaterra, que depois formou igrejas próprias.

    Grau de evidência: Documentado
  7. Século XX

    Pentecostais

    Movimento com origem própria no início do século XX, que se compreende em continuidade com o protestantismo. No Censo de 2010 do IBGE, os pentecostais eram a maioria dos evangélicos brasileiros.

    Grau de evidência: Interpretação
  8. E a Igreja Católica?

    Também se transformou no século XVI, com Trento, novas ordens e missões. Católicos e protestantes partilham uma história comum anterior a 1517.

Exemplar histórico da Bíblia traduzida por Lutero
A Bíblia de LuteroExemplar histórico da Bíblia de Lutero. Fotografia de Torsten Schleese, 1999 (fotografia). Domínio público, via Wikimedia Commons. Ver fonte no Wikimedia Commons (abre em nova aba)

Cultura e educação

Livros, escolas e canções

O incentivo à leitura da Bíblia em línguas vernáculas, os catecismos e as escolas ligadas às igrejas deixaram marcas na alfabetização e nas línguas europeias — ao lado de muitos outros fatores.

O canto congregacional, de Lutero ao Saltério de Genebra e, depois, a Bach e aos hinários protestantes, tornou a música uma forma de participação de todos no culto.

O legado inclui também perdas: obras de arte destruídas, conventos fechados e comunidades perseguidas.

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Fora da Europa

A Reforma no Brasil

A presença protestante no Brasil começou cedo, foi interrompida, renasceu com imigrantes e missionários e cresceu enormemente no século XX.
  1. 1557–1558

    Huguenotes enviados de Genebra celebram cultos reformados na França Antártica, na Baía de Guanabara. Após romper com eles, Villegaignon manda executar três dos quatro autores da Confissão de Fé da Guanabara.

  2. 1630–1654

    No Brasil holandês, sobretudo em Pernambuco, funcionam igrejas reformadas, com pastores e atividade missionária.

  3. 1810

    O tratado de comércio com a Grã-Bretanha permite o culto protestante de estrangeiros em templos sem aparência exterior de igreja.

  4. 1824

    Imigrantes alemães chegam a Nova Friburgo e São Leopoldo e formam as primeiras comunidades luteranas permanentes. A Constituição do Império mantém o catolicismo como religião oficial e tolera o culto doméstico de outras religiões.

  5. 1855–1862

    Robert Kalley inicia o trabalho que dará origem à Igreja Evangélica Fluminense; Ashbel Green Simonton chega em 1859 e organiza a primeira igreja presbiteriana do Rio de Janeiro.

  6. 1882

    É organizada em Salvador a Primeira Igreja Batista do Brasil.

  7. 1890

    Com a República, o Decreto 119-A separa Igreja e Estado e garante liberdade de culto.

  8. 1910–1911

    Surgem a Congregação Cristã no Brasil e a Assembleia de Deus, em Belém, marcos do pentecostalismo brasileiro.

  9. 2016

    A Lei nº 13.246 institui o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho em 31 de outubro.

Hoje

O que continua em debate

A Reforma não é só passado: suas perguntas reaparecem nas igrejas, nas universidades e na vida pública.

Unidade e divisão

Em 1999, católicos e luteranos declararam um consenso em verdades básicas sobre a justificação. Em 2016, abriram juntos em Lund a comemoração dos 500 anos.

Ler a Bíblia

Se a Escritura é a norma, quem a interpreta? A pergunta, aberta no século XVI, ainda divide e multiplica igrejas.

Fé e poder

As Reformas ligaram igrejas a governantes; a liberdade religiosa veio depois, por caminhos diversos. A relação entre fé e política segue em discussão.

Memória e arrependimento

Igrejas luteranas repudiaram os escritos antijudaicos de Lutero, e menonitas e luteranos fizeram gestos de reconciliação pelas perseguições do passado.

Em círculos reformados, uma expressão latina surgida no século XVII resume a ideia de que a Igreja deve continuar se examinando: ecclesia reformata, semper reformanda — “igreja reformada, sempre se reformando”.

A história de 1517 continua sendo escrita por quem a lê

Celebrar a Reforma com honestidade é reconhecer o que ela abriu — Bíblias em línguas do povo, escolas, liberdade de consciência — e o que ela feriu. Essa memória pertence a todos que a estudam.