Uma herança plural, ainda em debate
Tradições
Muitas igrejas, muitas origens
Século XVI
Luteranos
Igrejas nascidas da Reforma de Wittenberg, majoritárias no norte da Alemanha e na Escandinávia. Hoje reunidas em boa parte na Federação Luterana Mundial.
Grau de evidência: DocumentadoSéculo XVI
Reformados e presbiterianos
Herdeiros de Zurique e Genebra, presentes na Suíça, Países Baixos, Escócia, Hungria e, depois, em muitas partes do mundo.
Grau de evidência: DocumentadoSéculo XVI
Anglicanos
A Igreja da Inglaterra e as igrejas da Comunhão Anglicana, que combinam herança católica e reformada.
Grau de evidência: DocumentadoSéculo XVI
Anabatistas e menonitas
Comunidades que defendem o batismo de crentes e, em geral, a não violência. Os menonitas levam o nome de Menno Simons.
Grau de evidência: DocumentadoSéculo XVII
Batistas
Surgem entre separatistas ingleses, com uma primeira congregação em Amsterdã em 1609. A influência anabatista sobre eles é debatida pelos historiadores.
Grau de evidência: DebatidoSéculo XVIII
Metodistas
Movimento de renovação iniciado por John Wesley dentro da Igreja da Inglaterra, que depois formou igrejas próprias.
Grau de evidência: DocumentadoSéculo XX
Pentecostais
Movimento com origem própria no início do século XX, que se compreende em continuidade com o protestantismo. No Censo de 2010 do IBGE, os pentecostais eram a maioria dos evangélicos brasileiros.
Grau de evidência: InterpretaçãoE a Igreja Católica?
Também se transformou no século XVI, com Trento, novas ordens e missões. Católicos e protestantes partilham uma história comum anterior a 1517.

Cultura e educação
Livros, escolas e canções
O incentivo à leitura da Bíblia em línguas vernáculas, os catecismos e as escolas ligadas às igrejas deixaram marcas na alfabetização e nas línguas europeias — ao lado de muitos outros fatores.
O canto congregacional, de Lutero ao Saltério de Genebra e, depois, a Bach e aos hinários protestantes, tornou a música uma forma de participação de todos no culto.
O legado inclui também perdas: obras de arte destruídas, conventos fechados e comunidades perseguidas.
Fora da Europa
A Reforma no Brasil
1557–1558
Huguenotes enviados de Genebra celebram cultos reformados na França Antártica, na Baía de Guanabara. Após romper com eles, Villegaignon manda executar três dos quatro autores da Confissão de Fé da Guanabara.
1630–1654
No Brasil holandês, sobretudo em Pernambuco, funcionam igrejas reformadas, com pastores e atividade missionária.
1810
O tratado de comércio com a Grã-Bretanha permite o culto protestante de estrangeiros em templos sem aparência exterior de igreja.
1824
Imigrantes alemães chegam a Nova Friburgo e São Leopoldo e formam as primeiras comunidades luteranas permanentes. A Constituição do Império mantém o catolicismo como religião oficial e tolera o culto doméstico de outras religiões.
1855–1862
Robert Kalley inicia o trabalho que dará origem à Igreja Evangélica Fluminense; Ashbel Green Simonton chega em 1859 e organiza a primeira igreja presbiteriana do Rio de Janeiro.
1882
É organizada em Salvador a Primeira Igreja Batista do Brasil.
1890
Com a República, o Decreto 119-A separa Igreja e Estado e garante liberdade de culto.
1910–1911
Surgem a Congregação Cristã no Brasil e a Assembleia de Deus, em Belém, marcos do pentecostalismo brasileiro.
2016
A Lei nº 13.246 institui o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho em 31 de outubro.
Hoje
O que continua em debate
Unidade e divisão
Em 1999, católicos e luteranos declararam um consenso em verdades básicas sobre a justificação. Em 2016, abriram juntos em Lund a comemoração dos 500 anos.
Ler a Bíblia
Se a Escritura é a norma, quem a interpreta? A pergunta, aberta no século XVI, ainda divide e multiplica igrejas.
Fé e poder
As Reformas ligaram igrejas a governantes; a liberdade religiosa veio depois, por caminhos diversos. A relação entre fé e política segue em discussão.
Memória e arrependimento
Igrejas luteranas repudiaram os escritos antijudaicos de Lutero, e menonitas e luteranos fizeram gestos de reconciliação pelas perseguições do passado.
Em círculos reformados, uma expressão latina surgida no século XVII resume a ideia de que a Igreja deve continuar se examinando: ecclesia reformata, semper reformanda — “igreja reformada, sempre se reformando”.
A história de 1517 continua sendo escrita por quem a lê
Celebrar a Reforma com honestidade é reconhecer o que ela abriu — Bíblias em línguas do povo, escolas, liberdade de consciência — e o que ela feriu. Essa memória pertence a todos que a estudam.